06 julho 2017

A embrulhada

Depois dos incêndios de Pedrogão Grande e do desaparecimento das armas de Tancos, o PM bem precisa de férias. Os tempos mais próximos vão ser muito mais duros do que a passeata que se previa até às eleições autárquicas e daí até às legislativas.
 
Sobre esses dois casos graves, gravíssimos, não vai a Companhia elaborar porque se afastam do escopo da sua missão (um exemplo que devia ser seguido por muitos dirigentes de topos dos chamados Servicios).
 
O PM tem por resolver a substituição do secretário geral do SIRP, depois do que foi a patética encenação (durante meses) da substituição sem epidural. Se tivesse tempo e sentido de serviço público apuraria o que correu mal e esmiuçaria o "inner circle", porque nele se alojou o facilitismo e, pior, o sentimento de impunidade. Quando isso acontece estamos perante o príncipio do fim.
 
Para a tempestade ser perfeita o partido envolveu-se, ingenuamente, em politiquice parlamentar em torno de assuntos sérios (Conselho de Fiscalização e lei do acesso a metadados). Como o partido mais votado está votado ao abandono e a ridiculos "soundbites" esporádicos, o CDS levantou a crista(s). No parlamento ficou demonstrado que a gestão da agenda/calendário por parte do partido do governo está mal entregue. Meteram o PM numa embrulhada de dimensões lendárias. E quando teve oportunidade de sair da dita embrulhada, como era de esperar de quem se supera a si próprio em termos de técnica e táctica, truques e ilusionismo, o PM afundou-se ainda mais na embrulhada movediça.
 
Chamar a si o foco das atenções e dar uma de caudilho de serviços que têm tutelas próprias revela, uma vez mais, confiar num circulo de aprendizes que ainda não percebeu que está no último andar da arquitetura do poder. Agora o único caminho é para baixo.
 
E nem o Focus Group nem São Marcelo os salva.