06 julho 2017

A embrulhada

Depois dos incêndios de Pedrogão Grande e do desaparecimento das armas de Tancos, o PM bem precisa de férias. Os tempos mais próximos vão ser muito mais duros do que a passeata que se previa até às eleições autárquicas e daí até às legislativas.
 
Sobre esses dois casos graves, gravíssimos, não vai a Companhia elaborar porque se afastam do escopo da sua missão (um exemplo que devia ser seguido por muitos dirigentes de topos dos chamados Servicios).
 
O PM tem por resolver a substituição do secretário geral do SIRP, depois do que foi a patética encenação (durante meses) da substituição sem epidural. Se tivesse tempo e sentido de serviço público apuraria o que correu mal e esmiuçaria o "inner circle", porque nele se alojou o facilitismo e, pior, o sentimento de impunidade. Quando isso acontece estamos perante o príncipio do fim.
 
Para a tempestade ser perfeita o partido envolveu-se, ingenuamente, em politiquice parlamentar em torno de assuntos sérios (Conselho de Fiscalização e lei do acesso a metadados). Como o partido mais votado está votado ao abandono e a ridiculos "soundbites" esporádicos, o CDS levantou a crista(s). No parlamento ficou demonstrado que a gestão da agenda/calendário por parte do partido do governo está mal entregue. Meteram o PM numa embrulhada de dimensões lendárias. E quando teve oportunidade de sair da dita embrulhada, como era de esperar de quem se supera a si próprio em termos de técnica e táctica, truques e ilusionismo, o PM afundou-se ainda mais na embrulhada movediça.
 
Chamar a si o foco das atenções e dar uma de caudilho de serviços que têm tutelas próprias revela, uma vez mais, confiar num circulo de aprendizes que ainda não percebeu que está no último andar da arquitetura do poder. Agora o único caminho é para baixo.
 
E nem o Focus Group nem São Marcelo os salva.

28 junho 2017

Correio

Novo endereço

compintel AT zoho.eu

27 junho 2017

Entre o Bosta e o Bosta-Mor

 
Durante anos consecutivos o Camarada Zé, o da Alheira (como o apelida a malta do Besunte) foi recrutando sangue novo, sempre com a ajuda interna do Moulin Joe, Oak Jim, All Saints Frank e Chicken Horny. Desde 2006 é desta massa que é feita esta tecitura dramaticamente organizada.
A qualidade dos rapazes e raparigas (algumas são mesmo raparigas) está à vista.
Tudo à imagem dos mentores, patrocinadores e progenitores. Como dizem alguns amigos da Companhia: "Lídimos representantes da fina flor do entulho".
As fornadas que foram saindo da "escola" (como a chamam alguns pategos, que nunca devem ter frequentado nenhuma) reflectiram a sociedade que as pariu: metade carneiros, metade filhos da puta, mais coisa menos coisa.
Perante tal quadro de origem, aperfeiçoado por cursos de formação que deveriam durar 6 meses, mas que são encurtados para 2,5 meses porque "o serviço necessita urgentemente de man power" (quando ao mesmo tempo se prescinde, de forma escandalosa, de massa cinzenta e crítica que vai servir com vantagens outras instituições). E quando não se assume que o encurtamento dos cursos resulta de duas razões principais: 1) Cansaço dos estagiários que imploram aos mentores, patrocinadores e progenitores "Tirem-me daqui!!!!" ou 2) Cansaço dos "professores" que já não sabem, se é que alguma vez souberam, que mais hão-de inventar para "capacitar" os seus pupilos.
Neste período revelam-se as vedetas, os artistas, os naturais e os filhos da mãe. Se houvesse gente com eles no sítio era o momento certo para evitar situações que explodirão 20 anos depois, como aconteceu com o Oak Jim (também conhecido com Original Bosta ou Jabba the Hutt).
Se um futuro Bosta diz que está farto de aturar a Florípedes, "investigue-se até às últimas consequências" o comportamento do Bosta e da Florípedes. Se um futuro Bosta se recusa a comparecer, apesar de advertido, temos um problema. Se a advertência é feita pelo Bosta-Mor e não pelos serviços competentes temos um problema de ilegitimidade, incompetência e abuso de poder. Dos Tribunais, portanto.
Se, apesar de tudo, o Bosta continua a não comparecer e o Bosta-Mor faz de conta que está tudo bem temos uma ficção reles de um serviço público.
E é uma ficção porque não é serviço nem é público. Mais uma a somar a tantas outras que existem e devoram os nossos impostos.

Para lá do Torreão

O melhor é esquecerem toda a lógica.
 
De Max Planck a Albert Einstein o que se ganhou em mecânica quântica perdeu o estudo ontológico de Parmenides.
 
A Companhia não está aquém ou além.
 
As above, so below é o que melhor define a situação da Companhia.
 
O paralelo é total com César e o Rubicão.
 
 

12 junho 2017

Queres fazer? Tens de saber o quê

A nossa elite política tem urgentemente de encontrar uma visão são os seus serviços de informações. Esta metodologia reactiva de ir nomeando umas figuras dóceis e "porreiras pá" para chefiar aquilo que pomposamente designam o SIRP (que, em rigor, apenas corresponde em dimensão, orçamento e objectivos a uma direcção-geral menor da administração pública) está caduca.
 
O primeiro ministro pode fazer diferente. Tem, em primeiro lugar, que saber o que fazer. Preocupe-se depois com o perfil de quem vai escolher para liderar a mudança.
 
Os portugueses ficar-lhe-iam agradecidos.
 
Nós, no Torreão, também.

08 junho 2017

E agora?

Isto é tudo muito bonito. É tudo gente muito honesta e responsável. Bla, bla, bla.
 
Mas sendo verdade que durante meses (os que durou esta substituição sem epidural) as comadres se juntaram para a "passagem de pasta", como noticiou alguma (pouca e a do costume, porque o acesso é limitado à boa) imprensa, como ficamos?
 
E as deslocações de Estocolmo a Lisboa, quem as pagou? Já para não falar das que tiveram lugar de Lisboa para Estocolmo, só para preparar as "cimeiras" de sexas.
 
E o segredo de estado (o mesmo que mantém em prisão domiciliária um "dux veteranorum"), foi beliscado?
 
O SIS não investiga? E o Conselho de Fiscalização nada tem a dizer? A oposição de direita, sempre tão ciosa dos interesses nacionais, não se questiona sobre o processo substitutivo natural, como se fossemos todos da mesma confraria (e estando os interesses da confraria acima de outros interesses)? E a muleta parlamentar de esquerda que sempre nutriu um "carinho" especial pelas actividades de informações do Estado, não quer saber o se se passou?
 
E o Presidente, essa alma grande e bondosa, prepara-se também ele para esquecer e perdoar?
 
Extraordinária ficção. A dos serviços de informações nacionais. Não é?

Caixa de Pandora

 

07 junho 2017

O grande e único

Com o rigor de um Longines, Pompeo estendia a toalhinha de mesa, alinhava o pão, o chouriço, o paio de Montalegre e a navalhinha comprada na feira de Vila Real. A garrafinha «La Casera» de sete e meio ficava sempre em lugar de destaque, cheia de nectar tinto, de boa cepa.

O chefe, uma vez mais,mas com toda a paciência do mundo dizia-lhe:«Ó Pompeo, vamos ter de acabar com isto!»

Pompeo, em acelerado, levando a «La Casera» aos queixos, retorquia: «É para já, meu coronel. É para já!»

06 junho 2017

Insanidade e refugo

Quem ouve o presidente da República, o primeiro ministro, os lideres partidários falarem no SIRP e nos serviços de informações fica com a ideia, FALSA, de que eles atribuem grande importância à sua missão e à sensibilidade das matérias que neles são tratadas.
 
A falsa importância dos serviços de informações é denunciada, desde logo, pelos processos de nomeação (ou de manutenção) dos seus dirigentes máximos.
 
A novela porto-riquenha em curso para nomeação do futuro secretário geral do SIRP é disso um bom exemplo.
 
E se outras razões não existissem, porque é que os senhores primeiros ministros (o atual não é o único) insistem em certas nomeações?
 
Sobretudo quando nunca lhes terá passado pela cabeça nomear um oficial de informações, por exemplo, para:
 
-Secretário geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros
-Procurador geral da República
-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas
-Comandante Geral da GNR
-Diretor Nacional da PJ
-Diretor Nacional da PSP
-Diretor Nacional do SEF
-Comandante Geral da Polícia Marítima
 
 
Mas para o SIRP, SIED e SIS serve tudo. Até o refugo.
 
re·fu·go
(derivação regressiva de refugar)
substantivo masculino
1. Aquilo que sobra, que é posto de lado ou que não é escolhido, geralmente por ter menos qualidade. = REBOTALHO, RESTO
2. O que tem defeito ou não tem valor menor.
3. O que é considerado mais censurável do ponto de vista social ou moral.
"refugo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
 
 
NB - O caso de um individuo que há alguns anos ocupou um cargo de dirigente máximo no SIED, ultimamente recordado para justificar a não nomeação de oficiais de informações é usado de modo falacioso. Na verdade, o referido individuo fez carreira num serviço de segurança e transitou (da forma que bem se sabe) para o topo de um serviço de inteligência. Como se alguém que fez toda a sua carreira na GNR de repente fosse nomeado diretor nacional da PJ. Quem o nomeou? Quem propõs a sua nomeação?